Ele não parava de reclamar. Já estava caminhando a quase 20 minutos, e só estava na metade do caminho. Resmungava a todo instante, "aah, que mochila pesada! Não aguento mais, todo dia levo livro que não acaba mais!", ele se perguntava se valia pena tudo isso que estava passando. Ficando o dia todo fora de casa, pela manhã na escola e a tarde fazendo curso. carregando aquela mochila super pesada, suando.
Já tinha pensando muitas vezes em deixar de levar alguns livros, mesmo sabendo que iria precisar deles para compreender os assuntos e fazer exercícios, ele só queria um pouco de alívio.
Para ele, nada poderia ser pior que aquilo.
E então, no ápice de sua raiva ele desabafou: "Que droga, odeio isso tudo!". Segundos depois, sentiu um cheiro desagradável de suor e mofo. Demorou alguns segundos para perceber que o cheiro vinha dele mesmo, e percebeu que estava de chinelo, short e camisetas surrados e rasgados. O seu cérebro deu um nó, aquilo era impossível, será que tinha desmaiado e fora roubado? Mas porque estaria com aquelas roupas? Não fazia sentido, mas era a única resposta, ele continuou andando, olhou ao seu redor, e percebeu que ninguém o estava encarando, sinal de que ninguém vira o que acontecera: sua farda havia sumido, e no lugar, estava com aquelas vestes agora. Então, notou que ainda estava com um peso nas costas: "Hmm..pelo menos o ladrão não levou minha mochila!", quando passou o peso para sua frente, viu que na verdade aquilo eram duas sacas enormes, uma cheia de garrafas pet e outra com latinhas.
- Ô Lima! Ta moscando ai é? Bora meu filho, "a loja" já vai fechar, temos que apertar o passo pra chegar a tempo de vender! - um rapaz vestindo roupas não menos surradas que a dele e igualmente com duas sacas.
Sem entender, ele o seguiu. Minutos depois chegaram a um centro de reciclagem, onde o outro rapaz colocou cada saca em uma balança diferente. Ele fez o mesmo em outras duas balanças que tinham ali. Uma moça anotou os pesos, e deu uma quantia em dinheiro para cada.
- É, tá ficando tarde, vamos pra casa! - O rapaz sorriu, e tinha dito "casa" com um tom diferente, carregado de sarcasmo.
Ele tinha certeza que estava sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo. Aquilo não poderia estar acontecendo, seu nome não era Lima, e ele não era catador.
- Cara, eu não te conheço, não sou catador, estou num pesadelo, só isso, vou acordar daqui a pouco!
- Sim, claro que sim! - O outro disse com um tom de desinteresse.
Aquele pesadelo parecia tão real, porque sua mente estava reproduzindo isto? Ele já estava angustiado. Já fazia meia hora que andavam e não tinham chegado a tal "casa". "Ok, ok. Já posso acordar, acho que isso é pior que um pesadelo, tá tão monótono, pesadelo são aqueles coisas com fantasmas, monstros.. E isso aqui não tem nada disso." Ele só queria que sua mente voltasse para casa, não estava aguentando mais aquilo tudo.
Foi então que viu um adolescente andando na direção oposta, no outro lado da rua. Ele estava fardado, com uma mochila e com cara de poucos amigos, resmungando coisas ininteligíveis. Até que ele simplesmente falou em voz alta: "Que droga, odeio isso tudo!".
O catador se assustou, parou de sobressalto e ficou olhando o garoto passar. O que estava acontecendo? "Me..meu Deus! Será que eu era aquele..."
Naquele momento, ele percebeu que nada poderia ser pior que aquilo.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Desafio - (Descubra de qual música de Los Hermanos o texto se trata... =D)
- Você acha que vai mudar o mundo é? Aceite-se como você é! Todos esses seus pensamentos são utopias. - falei, pra ver se ele se tocava, e parava de agir e pensar como se pudesse mudar o mundo.
- Eu só não sou acomodado, não quero me conformar com o que eu vejo ao meu redor. Você acha que já não ouvi isso antes? Esse comodismo me irrita, olha só, a passagem de ônibus tá na iminência de aumentar, ninguém consegue receber cartão do SUS porque não querem gastar dinheiro com simples máquinas pra fazer esses cartões, e ai milhares de pessoas deixam de ser atendidas, de fazer exames, operações e muitas delas morrem por conta disso. Algo precisa ser feito!
- Você pensa que pode ser que nem os filmes da TV né? Que o mocinho vem e salva o mundo? Ali é ficção, e é tão ficção que nem são os próprios atores que fazem as cenas de lutas. São dublês, os atores nem suam!
Velho, você já tem tudo o que precisa, quer mais pra quê? O mundo não vai mudar só porque você quer. Amoleça eu coração, ouça outras pessoas, talvez o diálogo mude seu sentimento em relação a isso. Pois eu tenho certeza que por dentro você esconde um ódio por ser assim, eu sei que você na verdade quer viver como todos, mas se incomoda em fazer "a coisa certa", fique na sua, viva sua vida, você fica querendo mexer no que está quieto...
- Cara, sabe qual a diferença entre mim e você? Você cala a boca, fingindo que a vida está normal, que não há uma guerra acontecendo diariamente. Você tem medo de perder o que é seu ao ir em busca das virtudes que acredita, paz, amor, justiça... Eu morreria pelo que creio, mesmo que o mundo todo me achasse um louco, sem noção. Mas sabendo que isso poderia trazer melhoras pras futuras gerações, pense nisso!
- Eu só não sou acomodado, não quero me conformar com o que eu vejo ao meu redor. Você acha que já não ouvi isso antes? Esse comodismo me irrita, olha só, a passagem de ônibus tá na iminência de aumentar, ninguém consegue receber cartão do SUS porque não querem gastar dinheiro com simples máquinas pra fazer esses cartões, e ai milhares de pessoas deixam de ser atendidas, de fazer exames, operações e muitas delas morrem por conta disso. Algo precisa ser feito!
- Você pensa que pode ser que nem os filmes da TV né? Que o mocinho vem e salva o mundo? Ali é ficção, e é tão ficção que nem são os próprios atores que fazem as cenas de lutas. São dublês, os atores nem suam!
Velho, você já tem tudo o que precisa, quer mais pra quê? O mundo não vai mudar só porque você quer. Amoleça eu coração, ouça outras pessoas, talvez o diálogo mude seu sentimento em relação a isso. Pois eu tenho certeza que por dentro você esconde um ódio por ser assim, eu sei que você na verdade quer viver como todos, mas se incomoda em fazer "a coisa certa", fique na sua, viva sua vida, você fica querendo mexer no que está quieto...
- Cara, sabe qual a diferença entre mim e você? Você cala a boca, fingindo que a vida está normal, que não há uma guerra acontecendo diariamente. Você tem medo de perder o que é seu ao ir em busca das virtudes que acredita, paz, amor, justiça... Eu morreria pelo que creio, mesmo que o mundo todo me achasse um louco, sem noção. Mas sabendo que isso poderia trazer melhoras pras futuras gerações, pense nisso!
Tem a ver com
Coisas legais..,
É isso aÊw,
Retratos,
Sobre cantigas
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Balanças e morte
Não era uma simples questão de vaidade ou baixa auto-estima, ela só não estava vendo resultados com seus esforços e isso a deixava triste e desanimada. Os outros só apontavam para isso nela, eles nem tinham noção do quanto ela sofria para não se descontrolar. E o pior é que esse descontrole não era causado voluntariamente, era algo que tomava conta de sua mente, a deixava fora de si, irreconhecível.
Ela chorava por não conseguir se controlar, na frente dos outros fazia cara de "pois é, vei, tenho que dar um jeito nisso!"; mas como ela poderia dar um jeito? Era mais forte que ela, ela não queria aquilo, mas não adiantava o esforço, a derrota sempre a invadia.
Até que um dia alguém falou com ela, o pior é que este alguém não estava mal intencionado, ele apenas fez a brincadeira errada com a pessoa errada, foi a gota d'água. Ela, numa mistura de lágrimas e fúria, começou a gritar e bater nele, que confuso, não soube como reagir ou o que dizer.
Na volta para casa, ela tornou a chorar se lembrando do ocorrido, um choro discreto, estava chovendo bastante, mas ela não parecia ligar, nem sequer pegou seu guarda-chuva. Outras pessoas passavam por ela mas não percebiam seu choro, não tinham idéia da terrível condição em que ela se encontrava por dentro, completamente destruída, reduzida a cacos. Se não fôsse trágica, esta seria uma cena interessante, pois resumia toda a sua vida, ela seguindo seu caminho e sempre sofrendo, enquanto que os outros não notavam seu sofrer.
Ela chegou no ponto de ônibus, já tinha parado de chorar. Ficou lá durante algum tempo, então ela avistou o ônibus que segundos depois estaria a levando para o seu lar, aquele no qual serviria de refúgio, onde ela poderia brincar de ser feliz, esquecer que tinha uma vida.
O ônibus estava se aproximando, ela abriu a mochila e pegou um brigadeiro que estava lá. Ela olhou para ele, e voltando a chorar, disse:
- Eu só queria ser mais forte que você... - colocou o brigadeiro na boca, e se jogou na frente do ônibus.
Ela chorava por não conseguir se controlar, na frente dos outros fazia cara de "pois é, vei, tenho que dar um jeito nisso!"; mas como ela poderia dar um jeito? Era mais forte que ela, ela não queria aquilo, mas não adiantava o esforço, a derrota sempre a invadia.
Até que um dia alguém falou com ela, o pior é que este alguém não estava mal intencionado, ele apenas fez a brincadeira errada com a pessoa errada, foi a gota d'água. Ela, numa mistura de lágrimas e fúria, começou a gritar e bater nele, que confuso, não soube como reagir ou o que dizer.
Na volta para casa, ela tornou a chorar se lembrando do ocorrido, um choro discreto, estava chovendo bastante, mas ela não parecia ligar, nem sequer pegou seu guarda-chuva. Outras pessoas passavam por ela mas não percebiam seu choro, não tinham idéia da terrível condição em que ela se encontrava por dentro, completamente destruída, reduzida a cacos. Se não fôsse trágica, esta seria uma cena interessante, pois resumia toda a sua vida, ela seguindo seu caminho e sempre sofrendo, enquanto que os outros não notavam seu sofrer.
Ela chegou no ponto de ônibus, já tinha parado de chorar. Ficou lá durante algum tempo, então ela avistou o ônibus que segundos depois estaria a levando para o seu lar, aquele no qual serviria de refúgio, onde ela poderia brincar de ser feliz, esquecer que tinha uma vida.
O ônibus estava se aproximando, ela abriu a mochila e pegou um brigadeiro que estava lá. Ela olhou para ele, e voltando a chorar, disse:
- Eu só queria ser mais forte que você... - colocou o brigadeiro na boca, e se jogou na frente do ônibus.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Quando o encanto deixa de cantar..
Os dias se passavam, e com eles o desprovimento ia cada vez mais se fazendo presente ao encanto. Qual a possibilidade disto? Não sei quantificar, mas ela existe, principalmente quando o objeto ativo coopera para esse encontro quase aglutinado. E de que forma coopera? Indiferenciando, sub-valorizando, extra-pacificando... extra-pacificando? Sim, amigos, um paradoxo: um objeto ativo fazendo uma pacificação.. ou melhor, Uma extra-pacificação. Não sei como isso é possível, mas sei que a probabilidade não é nula.
E assim o desprovimento e o encanto vão se juntando, separando dois objetos que um dia estavam aglutinados, tinham átomos em comum, compartilhavam ligações, sinapses nervosas. Algumas vezes compartilhavam uma ligação silenciosa, a falta de velocidade na eletrosfera a ocasionava, mas quando esta se rompia, parecia que nunca havia ocorrido, voltavam-se as sinapses e outras interações.
E a troca continua, sorrateira e singela, vai ocorrendo, ocorrendo.. até que os objetos estão completamente separados e o desprovimento e o encanto se ligam.
A ligação passa a existir, isso é um fato. Não se sabe, porém, qual a sua duração.
E agora eu não me preocupo mais em estudar as probabilidades, eu só fico olhando para trás, figuradamente vendo o que se passou, e literalmente vendo o que se tornou: um desencanto.
E assim o desprovimento e o encanto vão se juntando, separando dois objetos que um dia estavam aglutinados, tinham átomos em comum, compartilhavam ligações, sinapses nervosas. Algumas vezes compartilhavam uma ligação silenciosa, a falta de velocidade na eletrosfera a ocasionava, mas quando esta se rompia, parecia que nunca havia ocorrido, voltavam-se as sinapses e outras interações.
E a troca continua, sorrateira e singela, vai ocorrendo, ocorrendo.. até que os objetos estão completamente separados e o desprovimento e o encanto se ligam.
A ligação passa a existir, isso é um fato. Não se sabe, porém, qual a sua duração.
E agora eu não me preocupo mais em estudar as probabilidades, eu só fico olhando para trás, figuradamente vendo o que se passou, e literalmente vendo o que se tornou: um desencanto.
Tem a ver com
Ahn?,
Coisas legais..,
É isso aÊw,
Para constar,
Retratos
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Vaidade
Hum, acho que vou vestir essa camisa, ela esquenta pra caramba, e está um calor de rachar, mas é a única que combina com minha calça nova, posso fazer o que? Ainda bem que Jorge não vai, por que eu ia morrer de vergonha se ele me visse com essa espinha, nossa, já basta a vergonha que vou passar com todo mundo olhando pra ela.
Não posso me esquecer de comprar minhas roupas para o show e para a academia, que vai começar semana que vem, porque a coisa tá feia viu, tô enorme de gorda, como é que vão me olhar desse jeito? Vixe, já ia esquecendo, tenho que comprar uma sandália nova também, tô sem nenhuma pra sair! Já não aguento mais os olhares de "essa sandália de novo?!" das meninas lá do clube.
AAh sim, nossa, eu tenho que arranjar uma forma de evitar Marcela, eu não vou com a cara dela! Primeiro porque ela gosta de música sertaneja, e ela tem mesmo cara de gente da roça.. música sertaneja é uó, né? Imagine se me pegam do lado dela, enquanto ela tá ouvindo as música doida dela? Vão achar que eu gosto também!
E vou almoçar fora, porque mainha fez fígado! Ninguém merece né, fígado é muito ruim!
PS. Tá, não ficou lá essas coisas o texto...kkkkk mas eu ainda vou falar sobre vaidade em outro post! =)
Não posso me esquecer de comprar minhas roupas para o show e para a academia, que vai começar semana que vem, porque a coisa tá feia viu, tô enorme de gorda, como é que vão me olhar desse jeito? Vixe, já ia esquecendo, tenho que comprar uma sandália nova também, tô sem nenhuma pra sair! Já não aguento mais os olhares de "essa sandália de novo?!" das meninas lá do clube.
AAh sim, nossa, eu tenho que arranjar uma forma de evitar Marcela, eu não vou com a cara dela! Primeiro porque ela gosta de música sertaneja, e ela tem mesmo cara de gente da roça.. música sertaneja é uó, né? Imagine se me pegam do lado dela, enquanto ela tá ouvindo as música doida dela? Vão achar que eu gosto também!
E vou almoçar fora, porque mainha fez fígado! Ninguém merece né, fígado é muito ruim!
PS. Tá, não ficou lá essas coisas o texto...kkkkk mas eu ainda vou falar sobre vaidade em outro post! =)
domingo, 8 de abril de 2012
O cão-guia.
- Ah.. se fôsse meu filho, ia era apanhar! Um menino desse tamanho não foi ensinado pela mãe que não se deve andar com esse tipo de gente? Quem anda com porcos, farelos come. Daqui a pouco ele já vai estar usando drogas também!
- Com certeza! Eu teria é vergonha, que Deus tenha compaixão pelo menos dos pais dele, porque ele com certeza já é um perdido.
- Menina, eu soube que ele estava numa festa que Jorge promoveu!
- Que Jorge, amiga? O dono daquele bar??!
- Sim, ele mesmo! Até prostituta tinha!
- Eu soube que ele ficou um tempão conversando com uma delas, ela chorou, ele a abraçou e tudo...hum, eu não nasci ontem, ele tava era jogando conversinha pro lado dela pra não pagar "o serviço"!
- Pois é, e no dia seguinte ele nem foi pra igreja. Sabe onde ele estava? Lá na sinuca, tocando violão e conversando com os bêbados lá! Depois eu soube que ele estava evangelizando, mas e daí? Dia de domingo é dia de ir pra igreja,. não de ficar se divertindo, tocando violão em bares!
- E outra coisa, já vi algumas vezes ele de sandália e bermuda jeans na igreja! Como é que pode, rapaz? Não respeita a Casa do Senhor não é?
- Eu hein, graças a Deus que não somos como ele! Como é mesmo o nome desse perdido?
- Jesus, nome estranho, né?
- Com certeza! Eu teria é vergonha, que Deus tenha compaixão pelo menos dos pais dele, porque ele com certeza já é um perdido.
- Menina, eu soube que ele estava numa festa que Jorge promoveu!
- Que Jorge, amiga? O dono daquele bar??!
- Sim, ele mesmo! Até prostituta tinha!
- Eu soube que ele ficou um tempão conversando com uma delas, ela chorou, ele a abraçou e tudo...hum, eu não nasci ontem, ele tava era jogando conversinha pro lado dela pra não pagar "o serviço"!
- Pois é, e no dia seguinte ele nem foi pra igreja. Sabe onde ele estava? Lá na sinuca, tocando violão e conversando com os bêbados lá! Depois eu soube que ele estava evangelizando, mas e daí? Dia de domingo é dia de ir pra igreja,. não de ficar se divertindo, tocando violão em bares!
- E outra coisa, já vi algumas vezes ele de sandália e bermuda jeans na igreja! Como é que pode, rapaz? Não respeita a Casa do Senhor não é?
- Eu hein, graças a Deus que não somos como ele! Como é mesmo o nome desse perdido?
- Jesus, nome estranho, né?
"Não penseis que vim trazer a paz à terra; não
vim trazer paz, mas espada;"
Mateus 10:34
terça-feira, 27 de março de 2012
Na carpintaria
- Ai você bate com o martelo meio de lado no prego, pra ele ficar na diagonal, assim ele dá mais sustentação ao braço da cadeira.
- Assim, papai?
- Isso filho, muito bem!
José via que seu filho, Jesus, se esforçava muito no trabalho, ele prestava bastante atenção em tudo, e conseguia executar tudo que seu pai mandava. Só que ele percebia pelo olhar do filho que havia algo que o incomodava naquilo tudo, já tinha tentado falar com ele várias vezes a respeito disso, mas o filho desconversava.
E ele seguia assim, terminava a lição da escola, ia ajudar seu pai no trabalho, depois ia brincar com seus amigos. Ahh.. se alguém soubesse pelo que ele passaria muitos anos depois, e mais, se eles soubessem que Jesus já sabia! Com certeza todos iriam se surpreender com a tamanha serenidade que ele apresentava, ele não ficou em depressão, não passou por crises, não deixou de se relacionar bem com todos a sua volta. E no ápice de sua agonia, ele não perdeu as estribeiras:
"E [Jesus] disse: Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres."
(Marcos 14:36)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Conversa de um assunto e dois pontos (na verdade, quatro pontos!)
Um retrato apresentando o primeiro ponto
Duas pessoas, um garoto e uma garota conversando em um ponto de ônibus,
já é noite.
A garota está meio decepcionada.
Assunto e o segundo ponto
- Quer dizer que eu vou para lá cansada, me cansar lá e voltar mais cansada?
- Exatamente
- Poxa, que chato, achei que ia ter piscina lá, brincadeiras, essas coisas.
- Não, não! Muito pelo contrário, lá haverá bastante trabalho, vamos acordar cedo,
dormir tarde, e todas essas coisas cansativas.
- Ah.. se eu soubesse!
- Não, não! Muito pelo contrário, lá haverá bastante trabalho, vamos acordar cedo,
dormir tarde, e todas essas coisas cansativas.
- Ah.. se eu soubesse!
Eu tenho um fato muito importante para dizer, após te mostrar um retrato, dois pontos e um assunto.
O fato muito importante
O que importa mesmo está no quarto ponto, e nem esse fato é mais importante
que o ponto, para você ter uma ideia.
Sendo assim, eu acho que vou dispensar um retrato mostrando o terceiro ponto, não somente por este - e todos os outros - ser menos importante que seu seguinte, mas também porque é praticamente a mesma figura. Talvez eles poderiam até serem usados em um jogo de sete erros...um erro, no caso.
Portanto, faz assim: pegue o retrato que eu te dei, e quando olhar para a garota, perceba que apesar da mesma expressão facial, ela agora não está mais decepcionada, e sim, triste. Feito isso, creio que você está apto para conhecer o quarto e mais importante ponto.
O quarto ponto
- Faz uma semana que estávamos nesse mesmo lugar, como você
se sente agora?
- Nossa, eu estou triste, porque passou tão rápido, e lá eu fui tão feliz.
- Valeu a pena o cansaço?
- E como valeu! Aah, se eu soubesse que era assim...
E assim eu vou reaprendendo a ler o livro antes de falar da capa.
Tem a ver com
Ahn?,
Coisas legais..,
Datas,
Para constar,
Retratos,
Vivo a eternidade no meu dia-a-dia..
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Aquele que não quer ver (tadinho do cego..)
Político não faz greve
E ainda assim seus salários, extras, benefícios, auxílios, etc... sempre aumentam
Político não arrisca a vida pela população.
Pelo contrário, faz esquema de segurança para ir na esquina comprar pão (bem... sabemos que ele não vai comprar pão, ele manda um dos seus segurança comprar, ele tá muito ocupado contando seu dinheiro!)
Político diz que o Estado não possui verba para aumentar piso salarial de ninguém.
E ninguém sabe de onde vem verba pra construir o cinema particular dele.
Político trabalha entre quatro paredes, em um local fechado ao cidadão.
E nós temos que confiar que ele está ali trabalhando, desenvolvendo projetos e planos para melhorar o país.
Enquanto isso, eu vejo professores no stress que é uma sala de aula, vejo policiais prendendo bandidos, bombeiros correndo risco de morte entrando em escombros à procura de pessoas, zeladores públicos limpando a rua.
Eu vejo, mas não posso aceitar que eles entrem em greve. Que é isso, rapaz? Esse povo não sabe só pedir um aumento não? Tem que parar de trabalhar? E daí se eles não serão ouvidos se não o fizerem? Quem se importa? Eu só quero sair de casa sabendo que estou seguro, que minha filha está tomando aula e que a cidade está limpa. Eu tenho esse direito!
Quais são os direitos deles? Não me interessa, ninguém pediu pra eles quererem trabalhar em uma profissão que colocam a integridade psicológica e física deles em risco e que a remuneração não vale o esforço, o problema é deles!
E ainda assim seus salários, extras, benefícios, auxílios, etc... sempre aumentam
Político não arrisca a vida pela população.
Pelo contrário, faz esquema de segurança para ir na esquina comprar pão (bem... sabemos que ele não vai comprar pão, ele manda um dos seus segurança comprar, ele tá muito ocupado contando seu dinheiro!)
Político diz que o Estado não possui verba para aumentar piso salarial de ninguém.
E ninguém sabe de onde vem verba pra construir o cinema particular dele.
Político trabalha entre quatro paredes, em um local fechado ao cidadão.
E nós temos que confiar que ele está ali trabalhando, desenvolvendo projetos e planos para melhorar o país.
Enquanto isso, eu vejo professores no stress que é uma sala de aula, vejo policiais prendendo bandidos, bombeiros correndo risco de morte entrando em escombros à procura de pessoas, zeladores públicos limpando a rua.
Eu vejo, mas não posso aceitar que eles entrem em greve. Que é isso, rapaz? Esse povo não sabe só pedir um aumento não? Tem que parar de trabalhar? E daí se eles não serão ouvidos se não o fizerem? Quem se importa? Eu só quero sair de casa sabendo que estou seguro, que minha filha está tomando aula e que a cidade está limpa. Eu tenho esse direito!
Quais são os direitos deles? Não me interessa, ninguém pediu pra eles quererem trabalhar em uma profissão que colocam a integridade psicológica e física deles em risco e que a remuneração não vale o esforço, o problema é deles!quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Morrer é lucro!
- Isso dá 8 mil reais, passagens de ida e volta, senhor.
- Nossa, não achei que ia custar tanto, mas tudo bem, vale a pena! - Jorge ficou um pouco assustado com o valor, mas isso não tirou a sua alegria, ia conseguir que sua irmã e melhor amiga, Luísa, o visitasse.
Jorge recebeu uma proposta de trabalho daquelas irrecusáveis, só que era na China. Ele não via Luísa há uma década e meia, mas tinha juntado dinheiro, e comprou uma passagem de avião para ela ir visitá-lo, fez isso sem avisá-la, pois queria fazer surpresa.
A primeira coisa que fez ao chegar em casa, com as passagens nas mãos, foi entrar no Skype, e viu sua irmã online.
- Lu! Que saudades de você! - Jorge falou, não conseguindo esconder a empolgação
- Oxi, Jorge, nós nos falamos ontem! Já está com saudades, eu sei que você não vive sem mim! - e riu do outro lado da tela.
- Mas a saudade que estou sentindo é de te abraçar, de estar perto de você, boba!
- Ô, Jorge, eu também tenho muitas saudades!
- Olha, Lu, eu vim juntando um dinheiro e hoje vi uma promoção numa empresa aérea pra esse fim de semana, tenho uma grana suficiente pra comprar a passagem pra você vir aqui! Que tal? - ele já estava ansioso para contar a novidade.
- Quantas vezes eu já te falei que eu não vou deixar você pagar sozinho? E mais, esse fim de semana não dá, vou num show que estou esperando a séculos!
- Luísa Pontes da Silva, eu não acredito que você vai me trocar por um show!
- Deixa de ser bobão, e além do mais, essas promoções são relâmpagos, já deve ter terminado.
- E se eu te contar que estou com as passagens na minha mão?
- AAh, Jorge, nem se fôsse verdade eu iria esse fim de semana, você sabe o quanto eu gosto dessa banda!
Jorge não conseguiu acreditar no que leu, ele tentou novamente
- Mas é sério, estou com as passagens!
- Então muda o dia, ué! Olha, daqui a pouco a gente conversa, tenho uma coisa pra fazer, beijos!
Luísa saiu. Ele estava confuso, ainda não tinha processado o que seus olhos viram, ele se sentiu traído, preterido. Sua irmã não queria visitá-lo! Uma raiva súbita se adentrou nele, e ele pegou as passagens e as rasgou, em lágrimas.
----
(Bem, eu tentei escrever a história de um modo que não ficasse tão ridícula a recusa de Luísa em ir visitar Jorge, seu irmão. Mas não deu.)
Se eu fôsse Deus, acho que me sentiria como Jorge ao ouvir que meus filhos, que fiz com minhas próprias mãos, não tinham pleno desejo de morar comigo. Eu não consigo entender como alguém ainda deseja algo dessa terra antes de ir pro céu. Como alguém deseja mais algo daqui do que ver seu Senhor?
A única justificativa que eu acho válida é a que Paulo dá em Felipenses 1, dos versos 21 ao 24:
- Nossa, não achei que ia custar tanto, mas tudo bem, vale a pena! - Jorge ficou um pouco assustado com o valor, mas isso não tirou a sua alegria, ia conseguir que sua irmã e melhor amiga, Luísa, o visitasse.
Jorge recebeu uma proposta de trabalho daquelas irrecusáveis, só que era na China. Ele não via Luísa há uma década e meia, mas tinha juntado dinheiro, e comprou uma passagem de avião para ela ir visitá-lo, fez isso sem avisá-la, pois queria fazer surpresa.
A primeira coisa que fez ao chegar em casa, com as passagens nas mãos, foi entrar no Skype, e viu sua irmã online.
- Lu! Que saudades de você! - Jorge falou, não conseguindo esconder a empolgação
- Oxi, Jorge, nós nos falamos ontem! Já está com saudades, eu sei que você não vive sem mim! - e riu do outro lado da tela.
- Mas a saudade que estou sentindo é de te abraçar, de estar perto de você, boba!
- Ô, Jorge, eu também tenho muitas saudades!
- Olha, Lu, eu vim juntando um dinheiro e hoje vi uma promoção numa empresa aérea pra esse fim de semana, tenho uma grana suficiente pra comprar a passagem pra você vir aqui! Que tal? - ele já estava ansioso para contar a novidade.
- Quantas vezes eu já te falei que eu não vou deixar você pagar sozinho? E mais, esse fim de semana não dá, vou num show que estou esperando a séculos!
- Luísa Pontes da Silva, eu não acredito que você vai me trocar por um show!
- Deixa de ser bobão, e além do mais, essas promoções são relâmpagos, já deve ter terminado.
- E se eu te contar que estou com as passagens na minha mão?
- AAh, Jorge, nem se fôsse verdade eu iria esse fim de semana, você sabe o quanto eu gosto dessa banda!
Jorge não conseguiu acreditar no que leu, ele tentou novamente
- Mas é sério, estou com as passagens!
- Então muda o dia, ué! Olha, daqui a pouco a gente conversa, tenho uma coisa pra fazer, beijos!
Luísa saiu. Ele estava confuso, ainda não tinha processado o que seus olhos viram, ele se sentiu traído, preterido. Sua irmã não queria visitá-lo! Uma raiva súbita se adentrou nele, e ele pegou as passagens e as rasgou, em lágrimas.
----
(Bem, eu tentei escrever a história de um modo que não ficasse tão ridícula a recusa de Luísa em ir visitar Jorge, seu irmão. Mas não deu.)
Se eu fôsse Deus, acho que me sentiria como Jorge ao ouvir que meus filhos, que fiz com minhas próprias mãos, não tinham pleno desejo de morar comigo. Eu não consigo entender como alguém ainda deseja algo dessa terra antes de ir pro céu. Como alguém deseja mais algo daqui do que ver seu Senhor?
A única justificativa que eu acho válida é a que Paulo dá em Felipenses 1, dos versos 21 ao 24:
Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.
Mas, se o
viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo
preferir.
Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte,
desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente
melhor;
mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por
causa de vós
Portanto se o seu desejo de permanecer vivo é por um motivo outro que não o de anunciar o evangelho, eu acho que você deve rever seus conceitos...
sábado, 31 de dezembro de 2011
O medo e o amor
Alvo Severo Potter, três nomes que juntos dão identidade ao filho do meio de Harry e Ginny, três histórias de homens brilhantes. Como suportar tamanha pressão? Já não bastava ser filho de Harry Potter? E se ele fizesse algo de errado? Todos iriam criticá-lo: "Você não está honrando seu pai!"; "Olha só seu nome! Parece que você não é tão bom quanto os verdadeiros donos deles..". Ele temia por tudo isso, claro que não queria ser um fracassado, mas também não queria que, quando ele errasse, fôsse lembrado centena de vezes do nome e DNA que carregava. Ele não queria encarar isso como uma responsabilidade, queria ser apenas ele mesmo, queria dar seu melhor.
Mas o maior medo dele era cair na Sonserina. A casa que tinha fama de "fabricar" vilões. Bruxos ambiciosos, maldosos, mas ainda assim brilhantes e poderosos.
"- Alvo Severo. - disse Harry tão baixo que somente eles e Gina puderam ouvir, embora ela
fingisse, discretamente, que acenava para Rose, que já havia embarcado. – Você tem o nome de
dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina e provavelmente o homem mais corajoso
que já conheci."
fingisse, discretamente, que acenava para Rose, que já havia embarcado. – Você tem o nome de
dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina e provavelmente o homem mais corajoso
que já conheci."
Assim, ele viu esse medo se esvaindo aos poucos dentro de si. Os vagões estavam prestes a se fechar, Alvo se despediu dos pais e entrou no trem, este começou a entrar em movimento. Olhou uma última vez para o pai, e mesmo sem ouví-lo, conseguiu ler os lábios dele:
"- Eu te amo, filho."
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Quando o desejo se torna obsessão
Ele ainda não tinha acreditado, tinha conseguido comprar o carro! O carro que o fez juntar dinheiro por quase um ano, ele agora o tinha na garagem. Se sentia orgulhoso de ter realisado esse sonho, e agora ele era seu xodó, quase toda semana ele o lavava, lustrava. Mostrou o carro a todos os seus amigos e familiares, que o parabenizaram pela fato.
Um dia, ele estava lavando o carro, quando viu seu filho descendo com a bicicleta.
- Paai! Olha só o que eu sei fazer!! - falou o filho, fazendo manobras na bicicleta.
- Huum, legal!! - o pai respondeu, completamente alheio, enquanto terminava de enxugar o carro, deu um beijo no parabrisa, e foi subir as escadas, voltando para casa.
Enquanto subia, porém, ele ouviu um barulho de metal se chocando com metal, seguido de um baque. Ao se virar, a primeira coisa que notou foi um risco enorme na porta do carro. Correu tão desesperado para ver quão profundo tinha sido o risco que quase tropeçou no filho, que estava caído.
- Olha o que você vez com meu carro!! - explodiu o pai, completamente irritado. - Não tem como reparar esse risco, e agora??
E sem pensar, pegou uma tábua de madeira e falou para o filho:
- Abra suas mãos, agora!!
O menino obedeceu, completamente assustado. Quando viu seu pai erguer a tábua, ele fechou os olhos, esperando a dor. E ela veio. Mais que a dor, o filho sentiu a raiva de seu pai canalizada naquela tábua de madeira. Um, dois, três.... quase 20 segundos depois o filho já não sentia mais as pancadas nas mãos, foi então que ele ouviu o pai jogar a tábua no chão.
- O que você fez?? Meu filho! Meu filhoo!! - a mãe do garoto olhou suas mãos, roxas e sem vida . Sem pensar duas vezes, colocou o garoto no carrou, entrou e foi para um hospital.
O pai assistiu a tudo parado, viu a mulher sair do prédio. "Aquele moleque, não tem onde brincar não é? Tinha que ser bem na garagem, tinha que ter riscado logo o meu carro! Aah, meu carro, e agora?? Como vai ser daqui em diante, a porta riscada?!".
E assim ele subiu para casa, e se sentou no sofá. Horas depois, ele recebeu uma ligação, era sua mulher. Depois de muita discussão, a mãe o disse:
- A mão direita dele será amputada! Por culpa sua! - a mãe falou em prantos.
- Culpa minha? Você viu o que seu filho fez com meu carro?? - ele falou, indignado
- Ahhh sim, o filho é só meu, née?! Engraçado isso, vem cá pegar o SEU carro!
E assim os dois voltaram a discutir. No outro lado da linha, o pai escutou o filho dizer:
"Mamãe! Deixa eu falar com papai!!"
"Tudo bem, filho, tome aqui o celular."
- Papai? Me desculpa pelo carro, tá? Eu prometo que quando minha mão crescer de novo eu nunca mais vou riscá-lo.
E foi nesse momento que o pai percebeu o que tinha feito, percebeu que suas prioridades estavam alteradas. Ele não conseguiu responder, desligou o celular, se jogou no sofá e chorou, chorou muito..
- Meu filho.. MEU filho! Como eu pude fazer isso com você??
Um dia, ele estava lavando o carro, quando viu seu filho descendo com a bicicleta.
- Paai! Olha só o que eu sei fazer!! - falou o filho, fazendo manobras na bicicleta.
- Huum, legal!! - o pai respondeu, completamente alheio, enquanto terminava de enxugar o carro, deu um beijo no parabrisa, e foi subir as escadas, voltando para casa.
Enquanto subia, porém, ele ouviu um barulho de metal se chocando com metal, seguido de um baque. Ao se virar, a primeira coisa que notou foi um risco enorme na porta do carro. Correu tão desesperado para ver quão profundo tinha sido o risco que quase tropeçou no filho, que estava caído.
- Olha o que você vez com meu carro!! - explodiu o pai, completamente irritado. - Não tem como reparar esse risco, e agora??
E sem pensar, pegou uma tábua de madeira e falou para o filho:
- Abra suas mãos, agora!!
O menino obedeceu, completamente assustado. Quando viu seu pai erguer a tábua, ele fechou os olhos, esperando a dor. E ela veio. Mais que a dor, o filho sentiu a raiva de seu pai canalizada naquela tábua de madeira. Um, dois, três.... quase 20 segundos depois o filho já não sentia mais as pancadas nas mãos, foi então que ele ouviu o pai jogar a tábua no chão.
- O que você fez?? Meu filho! Meu filhoo!! - a mãe do garoto olhou suas mãos, roxas e sem vida . Sem pensar duas vezes, colocou o garoto no carrou, entrou e foi para um hospital.
O pai assistiu a tudo parado, viu a mulher sair do prédio. "Aquele moleque, não tem onde brincar não é? Tinha que ser bem na garagem, tinha que ter riscado logo o meu carro! Aah, meu carro, e agora?? Como vai ser daqui em diante, a porta riscada?!".
E assim ele subiu para casa, e se sentou no sofá. Horas depois, ele recebeu uma ligação, era sua mulher. Depois de muita discussão, a mãe o disse:
- A mão direita dele será amputada! Por culpa sua! - a mãe falou em prantos.
- Culpa minha? Você viu o que seu filho fez com meu carro?? - ele falou, indignado
- Ahhh sim, o filho é só meu, née?! Engraçado isso, vem cá pegar o SEU carro!
E assim os dois voltaram a discutir. No outro lado da linha, o pai escutou o filho dizer:
"Mamãe! Deixa eu falar com papai!!"
"Tudo bem, filho, tome aqui o celular."
- Papai? Me desculpa pelo carro, tá? Eu prometo que quando minha mão crescer de novo eu nunca mais vou riscá-lo.
E foi nesse momento que o pai percebeu o que tinha feito, percebeu que suas prioridades estavam alteradas. Ele não conseguiu responder, desligou o celular, se jogou no sofá e chorou, chorou muito..
- Meu filho.. MEU filho! Como eu pude fazer isso com você??
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Engodo [Parte II]
- O que você pensa que está fazendo?? Você ficou louca! Está obssessiva com isso de perder peso. Você vai acabar morrendo de um jeito ou de outro! - Alberto falou, irritado, mas temeroso que ela fizesse o que falou segundos antes - Amor, larga isso, deixa eu te ajudar!
- Me ajudar? Há semanas eu só ouço você dizendo que eu deveria procurar um médico, que eu estou compulsiva com isso. Você acha que está me ajudando? Alberto, você deveria me apoiar! Eu amo o meu trabalho! - e, sem nem vacilar, ela fez o que prometeu.
Alberto parou o carro, e foi para o banco de trás, gritando, pedindo ajuda. Ele pôs a mão no pescoço dela, tentando em vão diminuir o ritmo do sangue, que saía sem parar. Em pouco tempo se formou um círculo de pessoas ao redor do carro, e alguns minutos depois chegou uma ambulância, junto com uma viatura.
Durante todo este tempo, Alberto, todo ensanguentado, não saía de perto de Júlia, já morta. Ele não parou de chorar. Começou a ter flashes de toda sua vida desde que conheceu Júlia, o namoro, o noivado, o casamento... e enfim, a última frase que ela disse antes da morte: "Eu amo o meu trabalho!"
Naquele momento, ele só queria que ela pudesse acordar por alguns segundos, só para ouvir a resposta dele:
"Eu amava você".
- Me ajudar? Há semanas eu só ouço você dizendo que eu deveria procurar um médico, que eu estou compulsiva com isso. Você acha que está me ajudando? Alberto, você deveria me apoiar! Eu amo o meu trabalho! - e, sem nem vacilar, ela fez o que prometeu.
Alberto parou o carro, e foi para o banco de trás, gritando, pedindo ajuda. Ele pôs a mão no pescoço dela, tentando em vão diminuir o ritmo do sangue, que saía sem parar. Em pouco tempo se formou um círculo de pessoas ao redor do carro, e alguns minutos depois chegou uma ambulância, junto com uma viatura.
Durante todo este tempo, Alberto, todo ensanguentado, não saía de perto de Júlia, já morta. Ele não parou de chorar. Começou a ter flashes de toda sua vida desde que conheceu Júlia, o namoro, o noivado, o casamento... e enfim, a última frase que ela disse antes da morte: "Eu amo o meu trabalho!"
Naquele momento, ele só queria que ela pudesse acordar por alguns segundos, só para ouvir a resposta dele:
"Eu amava você".
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Engodo
(É com um "conto tenso" que eu inventei que inauguro meu novo marcador, intitulado "Retratos"! *-*)
- Eu não estou magra! Não adianta você dizer, olha só pra minha barriga! - Júlia gritava com seu marido, Alberto.
Não tinha santo que a convencesse que ela estava muito abaixo do seu peso ideal. Tudo começou quando ela conseguiu se tornar modelo de uma agência famosa. Começou a ganhar muito dinheiro, ganhava por sessão de fotos. Só que ao decorrer do tempo, o diretor da agência começou a dizer que ela deveria prestar mais atenção em seu peso, que ela estava quase fora dos padrões, e que ele não teria outra alternativa a não ser despedi-la.
Ela ficou sem chão, não podia perder esse emprego, era o que ela amava, era o que a deixava orgulhosa, estar estampada nas revistas espalhadas pelo país. Não, ela não iria perder esse salário tão alto, salário este que, junto com sua fama, massageava seu ego, fazendo-a não medir quantias para satisfazê-lo. Ela iria emagrecer a qualquer custo.
Seu marido começou a notar um comportamento estranho semanas antes. Quando em dois dias consecutivos ela se alimentou somente três vezes.
- Querida, o que está acontecendo? Você tem se alimentado muito pouco ultimamente.
- Olha amor, desculpa eu não ter dito antes, mas é que o diretor da agência disse que eu precisava emagrecer, pois estou já alcançando o limite de peso, estou correndo o risco de perder o emprego!
- Você já procurou um nutricionista, pra saber se você está ou não em seu peso ideal? É perigoso começar tão bruscamente a comer tão pouco! - Alberto falou, preocupado.
- Eu sei o que estou fazendo, e você deveria me apoiar! É do meu emprego que estamos falando aqui! - ela levantou a voz.
- Não é do seu emprego que estou falando, estou falando de sua saúde, que é mais importante do que esse seu emprego!
E assim começou a primeira de muitas discussões. Alberto sempre pedindo que ela procurasse um especialista, pois ela estava emagrecendo cada dia mais. Alguns dias Júlia chegou a passar mal, indo ao hospital, e descobrindo que sua pressão arterial estava baixíssima.
- Olha pra você! Olha o que você esta fazendo consigo! Eu não posso mais te ver assim sem fazer nada. vou te levar num psicólogo, você querendo ou não! - Alberto falou, decidido.
Ele a colocou no ombro e levou para a garagem, colocou no banco do carro, as tentativas dela de se desvencilhar eram completamente inúteis.
Durante o trajeto para a clínica, Júlia encontrou um canivete no bolso do banco traseiro, sem titubear, ela o pegou, encostou a lâmina em seu próprio pescoço e disse:
- Você pára o carro, ou eu me mato agora!
- Eu não estou magra! Não adianta você dizer, olha só pra minha barriga! - Júlia gritava com seu marido, Alberto.
Não tinha santo que a convencesse que ela estava muito abaixo do seu peso ideal. Tudo começou quando ela conseguiu se tornar modelo de uma agência famosa. Começou a ganhar muito dinheiro, ganhava por sessão de fotos. Só que ao decorrer do tempo, o diretor da agência começou a dizer que ela deveria prestar mais atenção em seu peso, que ela estava quase fora dos padrões, e que ele não teria outra alternativa a não ser despedi-la.
Ela ficou sem chão, não podia perder esse emprego, era o que ela amava, era o que a deixava orgulhosa, estar estampada nas revistas espalhadas pelo país. Não, ela não iria perder esse salário tão alto, salário este que, junto com sua fama, massageava seu ego, fazendo-a não medir quantias para satisfazê-lo. Ela iria emagrecer a qualquer custo.
Seu marido começou a notar um comportamento estranho semanas antes. Quando em dois dias consecutivos ela se alimentou somente três vezes.
- Querida, o que está acontecendo? Você tem se alimentado muito pouco ultimamente.
- Olha amor, desculpa eu não ter dito antes, mas é que o diretor da agência disse que eu precisava emagrecer, pois estou já alcançando o limite de peso, estou correndo o risco de perder o emprego!
- Você já procurou um nutricionista, pra saber se você está ou não em seu peso ideal? É perigoso começar tão bruscamente a comer tão pouco! - Alberto falou, preocupado.
- Eu sei o que estou fazendo, e você deveria me apoiar! É do meu emprego que estamos falando aqui! - ela levantou a voz.
- Não é do seu emprego que estou falando, estou falando de sua saúde, que é mais importante do que esse seu emprego!
E assim começou a primeira de muitas discussões. Alberto sempre pedindo que ela procurasse um especialista, pois ela estava emagrecendo cada dia mais. Alguns dias Júlia chegou a passar mal, indo ao hospital, e descobrindo que sua pressão arterial estava baixíssima.
- Olha pra você! Olha o que você esta fazendo consigo! Eu não posso mais te ver assim sem fazer nada. vou te levar num psicólogo, você querendo ou não! - Alberto falou, decidido.
Ele a colocou no ombro e levou para a garagem, colocou no banco do carro, as tentativas dela de se desvencilhar eram completamente inúteis.
Durante o trajeto para a clínica, Júlia encontrou um canivete no bolso do banco traseiro, sem titubear, ela o pegou, encostou a lâmina em seu próprio pescoço e disse:
- Você pára o carro, ou eu me mato agora!
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